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São José do Egito - PE

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Para você relembrar um pouco dos poetas egipcienses. E sentir saudades das cantorias, estaremos divulgando algumas das poesias dos nossos poetas. Este link estará sempre sendo atualizado com novas poesias, então sempre que entrar na nossa home page não esqueça de dar uma olhada nesse link.

Nosso link de Poesias vai começar homenageando alguns poetas de São José do Egito ou que adotaram a cidade como terra natal, neste último ano perdemos quatro grandes poetas, aqui vamos prestar uma pequena homenagem a eles.

ZETO

Cantor, Compositor, Teatrólogo e Poeta, natural de Canhotinho - PE, radicado em São José do Egito - PE

Meu Amigo

Certo dia encontrei-me com um amigo
Que deixou-me contar minhas tristezas,
Vendo nele ternura e sutilezas
Nos Braços que dele fiz abrigo.

Mesmo hoje depois de tantos anos
Nosso amor continua assim perene
Eu querendo que ele me envenene
E ele sendo o veneno dos meus planos.

Amizade igual nunca encontrei
Pois as vezes que eu o procurei
Estendeu o seu braço à minha mão

O amigo de quem falo não é gente
É divino, e pra mim foi um presente
Que o tempo me deu, meu violão.

Zeto do Pajeú

OTACILIO BATISTA

Otacílio nasceu em 26 de setembro de 1923, na então Vila Umburanas, município de São José do Egito, hoje cidade de Itapetim.

Ignorância

Uma rosa pequena sem perfume
É maior que a minha consciência,
O tamanho da minha inteligência
É menor do que a da luz de um vagalume.
O tamanho que eu tenho de ciúme
É maior do que Judas, o perverso.

Aprendi a cantar e fazer verso
Mas não posso atingir a culminância,
O tamanho de minha ignorância
Ultrapassa a grandeza do Universo.

A guilhotina da guerra
Navalha dos desumanos,
Vem cortando a muitos anos
A cabeleira da terra
A mãe selvagem de tantos,
Filhos que se dizem santos
Destroem a beleza dela.
Agredida envenenada
Pela mão civilizada
Mais selvagem do que ela.

Otacílio Batista


PAULO CARDOSO

Egipciense, membro da Academia Recifense de Letras e autor da letra do Hino de São José do Egito. Nasceu em 23 de março de 1939.

O MILAGRE

Eu sinto dentro do peito
As batidas de um pilão
Que martelam devagar
Triturando cada grão
Cobrindo de ouro vivo
As bordas do coração

Barra de avental
Tão florido de chitão
Que minha mãe sempre usava
No tempo de Gestação
Era forma de dizer
Que vinha mais um varão

Tentando conter as lágrimas
Enxugando-as com a mão
Fazia do pão de milho
Uma simples divisão
Distribuindo conosco
Sete fatias de pão.

Paulo Cardoso


MARIANO BESERRA

Poeta, natural de Taquaritinga - PE, fez esses versos para um livro de Cordel auto biográfico, ou seja, contou seus noventa anos de vida em versos.

90 anos de vida

Meu pai era um homem pobre
Não pode me educar
Porém aprendi a ler
Perfeitamente a contar
Eu sou da família Amaro
Não tenho nenhum preparo
Se vê logo onde eu falar.

Nasci em Taquaritinga
Lá na Fazenda Taboca
Criei-me em Mateus Vieira
Plantando muita mandioca
Fazendo muita farinha
Criando porco e galinha
E comendo tapioca.
(...)
Depois fui para o sertão
De São José do Egito
Contratei um caminhão
E um chofer de Gabarito
Eu já fui de encomenda
E fui morar na fazenda
De Antônio Belo de Brito.
(...)

Mariano Beserra


Agora vamos conhecer mais algumas poesias dos poetas egipcienses ou não, se você tiver alguma poesia, não perca tempo, envie-nos para que na próxima atualização sua poesia seja divulgada na nossa home page.

ZÉ CATOTA

Cantando com Pinto, este disse:"Foi da raça de Catota/ não deixo um pra veneno."

Certa vez, cantando com Pedro Amorim que disse: "Sou um fazendeiro rico/de bode, ovelha e de gado."

Puxo o pescoço depeno
Serro o bico aparo o pé
Sendo da raça de Pinto
Só fica se eu não dê fé
Ganso, gansa, frango, franga
galo, galinha e guiné

Zé Catota

Chamar fazenda sem gado
Eu acho melhor que deixe
A cana toda cortada
Talvez que não dê um feixe
O açude que ele fala
Tem mais dono do que peixe.

Zé Catota


SALES ROCHA

Músico, Poeta, Professor, Teatrólogo e Cantor. É natural de São José do Egito.

Viver é Preciso

Por que não controlamos as vontades
Quando estamos sedentos de paixão
Pois chegamos a sentir o coração
Sobrepondo-se das nossas verdades.

Ou será possível que as maldades
Trazem consigo o segredo da razão
E nos deixa paupérrimos rentes ao chão
Sem nenhuma defesa atrás das grades.

Covardia é fugir do que nos vem
Muitas vezes até nem nexo tem
Mas viver é preciso para ver.

Que nem tudo que existe tem valor
Pra sentirmos o néctar do amor
É preciso viver, viver, viver...

Sales Rocha


LAMARTINE PASSOS

Médico, Poeta e Músico, natural de São José do Egito

Saudade

Nunca pensei que te amasse tanto
Pois só depois que me perdi de ti,
A solidão que assombra em cada canto
Grita em silêncio: estou morando aqui.

Olha a figueira sem sentido, enquanto
Vejo o sanhaçu pousar sempre ali;
Mas sem ter forças pra soltar seu canto,
Cala sentindo tudo que perdi.

É tanta dor que me envelhece a alma
E um tédio louco me adultera a calma
De tanta lágrima que já verti.

Já não me sinto em mim, não sou verdade,
E, após beber mil goles de saudade,
Não sei se ainda estou vivo ou se morri.

Lamartine Passos


Didi de Jó fez este soneto quando o seu filho nasceu, num dia de lua cheia. Mote de Manoel Filó em congresso em São José do Egito - PE.

Bela criança de pureza infinda
Eu te esperava ansiosamente
Obrigado meu Deus pelo presente
Pois eu não tinha agradecido ainda

Peço-te o mundo onde a paz não finda
Que haja sempre luz na tua estrada
E toda porta seja escancarada
Quando chegares que sejas bem-vindo

Só de meiguice és abençoada
Quando chegasse na tua jornada
Nascia a lua cheia calmamente

Deixando o céu todo iluminado
Pra lá de cima teu avô sentado
Te abençoar carinhosamente

Didi de Jó

Mocidade foi ontem que passou
E hoje vivo sentindo falta dela
Já mandei mil recados para ela
Mais nem mesmo um só me respostou
Muita gente viu e perguntou
Por que ela passava tão ligeiro
Respondi sem pensar e sem exagero
Ela veio, me usou e jogou fora
Mocidade é um vento passageiro
Beija a face do homem e vai embora.

Aprendi descrever essa passagem
Que vivi como ontem em minha vida
Sem dizer que a época foi perdida
Descrevendo somente, igual miragem
Que chorar o passado é bobagem
E saudade é flagelo que devora
Esse homem que em tua frente chora
Dos perfumes da vida sabe o cheiro
Mocidade é um vento passageiro
Beija a face do homem e vai embora.

Marcos Rangel


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